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O HOMEM NA TERRA

O HOMEM NA TERRA Jean, admirando a Lua, ainda avistava descer uma corrente de elos descomunais e tocar em algum ponto do horizonte… Havia telefonado para a mãe. – Fale, meu filho! – Onde se encontra? – No meio do povo, meu anjo. Bebendo e dançando. Com o seu pai não é diferente. – O que está acontecendo, mamãe? – Então não sabe?! A Lua, logo, logo será puxada! Em busca da verdade, correu para o interior do apartamento e, no seu notebook, observou, na postagem confiável e recente, que a corrente de elos descomunais tinha extremidades afixadas na Terra e no solo lunar. – …! Escutou o pipocar de fogos de artifícios, retornou para a área livre e, do peitoril, além de avistar a queima enriquecendo os céus, viu que os milhares de apartamentos em volta estavam iluminados e em festa. – Viva o poder dos homens! - gritavam os homens de modo genérico. – Viva o poder das mulheres! - gritavam as mulheres. – Viva o poder dos gays! - gritavam os gays. – Viva o poder…  Retirando as vistas do c

LIVROS EM DOMÍNIO PÚBLICO:

LIVROS EM DOMÍNIO PÚBLICO  DOM QUIXOTE DE LA MANCHA – MIGUEL DE SERVANTES A METAMORFOSE – FRANZ KAFKA ESPUMAS FLUTUANTES – CASTRO ALVES O CRIME DO PADRE AMARO – EÇA DE QUEIROZ A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS – JÚLIO VERNE A COMEDIA DOS ERROS - William Shakespeare DOM CASMURRO – MACHADO DE ASSIS ESTE MUNDO DE INJUSTIÇA GLOBALIZADA – José Saramago EU E OUTRAS POESIAS – Augusto dos Anjos A ALMA ENCANTADORA DAS RUAS – João do Rio OUTROS…

ABUTRES, ENDEMONIADOS OU DESCONTROLADA GUERRA ESPIRITUAL?

  Enquanto tia e sobrinha preparavam doces e salgados do sustento diário, ambas conversavam. − Hein, tia? Abutres, endemoniados ou descontrolada guerra espiritual? − Qual o motivo da curiosidade, Milena? − Conflitos e conflitos, tia. Entre as nações, nas nações, no ambiente público, no ambiente de trabalho. Na vizinhança, na família. Enfim. Certo título, cujo nome agora não me recordo, o autor, no prefácio, teoriza dizendo que vivemos a própria vida, porém controlada por espíritos de vidas passadas e presentes os quais vigiam e manobram conforme heranças tenham ficado e conforme atitudes praticadas no dia a dia. No entanto, questiona: quando a perseguição teria iniciado? Respondendo, diz que, nos primórdios tempos, assim que a primeira injustiça foi cometida e o primeiro crime praticado. Então, ainda segundo o autor, se desde os primórdios tempos houvesse una árvore genealógica cuidadosamente escrita e a cada milésimo de segundo atualizada, muitas coisas seriam evitadas. O turista, por

CONCEPÇÕES DE MILENA

  Enquanto tia e sobrinha preparavam doces e salgados do sustento diário, ambas conversavam. – Ano que vem teremos eleições, Milena. – É verdade, tia. – Já definiu o candidato? – Não mais votarei, tia. – Por que não, Milena? – Ao analisar custo benefício, descobri que não vale a pena. – Por favor, Milena. Gasta-se um milésimo da sola do calçado para se dirigir ao local de votação. – Até porque, tia, num desses dias, ao chegar ao portão, escutei uma jovem dizer para a amiga que iria a Gulacho a fim de realizar um exame pré-natal. Desnecessário dizer que o município de Gulacho fica a oito horas distantes daqui. Então fiquei a me perguntar que sob céu aquela bendita criatura estava? Sob o céu de um povoado, de uma nação ou de uma república? Não sei se o problema é universal, tia, mas sabemos que existe político esponja acercado de nefastos. Logo, fiquei a me perguntar: será que no aniversário do esponja. Escoras, parentes e amigos assim cantam? “Que Deus ao verme dê muita saúde e paz que

A RUA

  Manhã de domingo. O relógio Cuco pendurado em uma das paredes da sala marcava 10:30 horas. A senhora Rosa, acompanhada da visita, Laura 22 anos, vizinha de rua, atravessa a sala e, na porta da varanda, a senhora diz ao esposo que Laura, vizinha do 25, deseja conversar com ele. Consentindo que se aproximasse, Laura o cumprimenta e ele aponta a cadeira para que se assentasse. – Importa-se? − pergunta o senhor Guedes referindo-se à mesa. Havia cerveja, maço de cigarros, cinzeiro e isqueiro. Obtendo a resposta que não se importava, a senhora Rosa pede licença e se retira. – Disse-me que me procuraria. − conversa o anfitrião. –… Por que o senhor não é um policial agitado? − pergunta Laura. Com o inesperado questionamento, o senhor Guedes esboça um sorriso, medita e responde: –… Há policiais cujos perfis se assemelham aos de certos escritores, imaginam que podem mudar o mundo. – O senhor não? – Entendo ser impossível. – Prefere compreender? – Parece-me ficar mais distante de um infarto. –

A FÚRIA DOS MORTOS

Sodré, residente no alto de uma colina, estava feiíssimo, pois fora surpreendido com a inesperada visita de um amigo que há muitos anos não via. Aos abraços, o amigo manifestou preocupação com eles em razão do abalo sísmico ali registrado. Euforia aquietada, o bem-vindo visitante, curioso, dirigiu-se para o alpendre, olhou a cidade em ruínas e perguntou se não tinham sentido o tremor. Sodré negou e explicou: o que havia acontecido foi uma fúria. – Uma fúria? Contou que, aos domingos, realizavam-se concursos de poesia, na Praça Poeta Aquino Aguiar. A leitura dos trabalhos se iniciava às oito horas da manhã. Porém, naquele dia, por volta das dez horas, a esposa e ele, ali se encontrando, avistaram correria na cidade, fato inusitado, esquisito e estranho. Coisa que nunca tinham presenciado. Trocaram-se e desceram para verificar o que estava acontecendo quando foram informados da imoralidade. As poesias que estavam sendo apresentadas continham mensagens completamente adversas aos costumes