VELHO OESTE - BIL UIL - A HISTÓRIA - III

COMOÇÃO E MEDO


Aguardando por decisão dos familiares, o corpo de Manarry, coberto com um lençol, permanecia no mesmo lugar. Dançarinas, jogadores e beberrões, tragando uísque na garrafa, inconformados lhe faziam companhia.

−… Miserável…

E, quando quatro identificáveis detonações romperam o silêncio da madrugada, alguém, com uma garrafa de uísque erguida gritou:

−Morte a Bil Uil!

Já havia convicção de ter sido Bil Uil, o autor.

−Apareça aqui, seu desgraçado!

Ao retornar para a cama depois de ter acordado com os estampidos e espiado, através da janela, a movimentação da rua, a esposa do prefeito, confessa:

−Estou temerosa.

−… Fora Bil Uil, certamente anunciando execuções por fazer. Recordo-me do dia que partiu, foi deprimente. Não deveriam ter feito aquilo com os senhores Clinton e Barbra.

– Acordou com as detonações?

–…

−Ia falar uma asneira.

−Fale. – concordou o esposo.

−Ouvi dizer que o casal de forasteiros são hoje proprietários de uma grande tecelagem. Portanto, deveria agradecer pela sorte.

−Por favor, Alyssa.

−Cultua vingança?

−Claro que não.

−Então?



O DIA NASCIA



Poeira em suspensão, cavalos, charretes e carruagens. Carambolas rebeldes em trajes típicos perambulando e forasteiros misturados aos nativos tylidenses indo e vindo.

Contrariando a rotina de duas décadas, o Salão Manarry amanhecera como se fosse uma caixa selada. Na faixa negra estendida na fachada uma mensagem prestava−lhe a última homenagem: “Descanse em paz, Manarry.” Ao pé do vaivém, cuja porta de verdade encontrava−se cerrada, impedindo acesso ao estabelecimento, havia coroas de flores, cartas e velas acesas.

Comentou a elegante senhora para a amiga ao passar à porta do em luto salão.

−Dama… Uma desqualificada vadia essa é a verdade. Vadia em vida e na eternidade, é fato, querida… Andou se jogando para o seu marido, não foi?

−Por favor, amiga.

−Uma ambiciosa que levou a sério o sonho da pouco recomendável Anelise de que nas terras dos pobres Clinton e Barbra havia ouro.

–Fora sonho?

– “Sonho” da romena.


Não distante dali, Roy, filho do primeiro relacionamento de James, por detrás da mesa instalada na porta do escritório do Xerife, contratava homens para protegê−los.

−Como está, Roy? –saudou-o o senhor Dylan.

−… Bem…

Adentrou o escritório.

−Forcas batizadas com sugestivos nomes, senhor Xerife: “BIL UIL”, “AMIGO”. Gostei!

−… Agradecido… – replicou o representante da lei atento ao que fazia: desmontando uma arma travada.

–E o senhor Roy contratando homens para nos proteger.

−O estrume não pode escapar.

Quis saber em que pé estava o corpo da francesa.

−Parentes estão decidindo. – respondeu o Xerife.

−Incômoda à situação criada por ela mesma.

−… Como assim? – indagou o Xerife.

−Pediu para que o garoto fosse poupado.

James, que também estava presente, não gostando da conversa, reagiu:

−Pediu a você, senhor Xerife?

−A mim, não.

−A quem pediu?

−…

−Conversa da vadia nos meteu na enrascada e quis esnobar de boa samaritana. Numa de nossas noites, com choro fingindo, contou que havia pedido que o pequeno Bil Uil fosse poupado. Perguntei a quem tinha pedido e ela desconversou. Uma vadia de marca maior. Que Deus a tenha no fogo do inferno é o que desejo.

−… Prato ruim, senhor James? – perguntou o Xerife.

Houve risos. Dizendo, levantando−se Isaac:

−Foram quatro disparos que o desgraçado efetuou durante a madrugada. O órfão está tentando nos intimidar. Sei que, tão logo coloque as mãos no desgraçado, entregarei aos famintos porcos do Elton. – enfatizou o senhor Isaac, apanhando a bíblia e o chapéu que estavam sobre a mesa e se retirando.