VELHO OESTE - BIL UIL - A HISTÓRIA - XI

FINAL


Bil Uil e Estefânia encontravam−se hospedados na casa do prefeito. Vestidos com roupas impecáveis, aguardavam na imensa cozinha que o comandante da infantaria se retirasse. Retirando−se, apresentaram-se na sala.

–O que poderia contar ao comandante de infantaria? Os Carambolas estavam insatisfeitas com o roubo de madeira, ficou esclarecido. – disse o prefeito.

Após breve silêncio Estefânia deu de ombros falou algo sobre seus pais e disse que viajariam na manhã do dia seguinte.

−A cavalo? – perguntou a esposa do prefeito.

−É uma viagem desgastante. – observou Bil Uil.

−Não pretende ser empossado como Xerife, senhor Bil Uil? – quis saber o prefeito.

−Não levo jeito.

−Retornara para detrás dos maquinários?– inquiriu à senhora Alyssa.

−Não só. – respondeu Bil Uil com modéstia.

−Tenho curiosidade de saber como os fios de algodão se entrelaçam nos maquinários: são fios virgens entrelaçando−se ou são tingidos depois de entrelaçados?

No entanto, o prefeito a interceptando, matou a curiosa pergunta. Lembrou o prefeito que a melhor carruagem da cidade pertencera ao juiz, cujos familiares haviam também sido mortos, caso a desejasse.

−É uma boa carruagem. – sustentou Estefânia.

Bil Uil, perguntando se fazia ideia do número de sobreviventes, teve a resposta do prefeito de que fora em torno de três mil pessoas.

−Dá para recomeçar. – garantiu o prefeito.


Quando cara amarela despontou no horizonte exibindo mais uma vez a graça do sorriso, Bil Uil e Estefânia já estavam prontos para partir. Dam e Anis despediram−se na véspera. Haviam conseguido um cantinho para morar juntos. A senhora Alyssa, em razão do óbvio, relutou com o humor, porém, preparou um doce de abóbora para que fossem consumindo durante a viagem… Deixando a residência, acompanhados pelos anfitriões, Águia Verde, montado num cavalo, os aguardava. A carruagem que pertencera ao juiz fora de agrado de Bil Uil. Seria o cocheiro, e Estefânia, a auxiliar. Iriam se revezando. Despediram−se e subiram na carruagem.

−Até! – disse o casal.

−Até! – respondeu Bil Uil e Estefânia.

Bil Uil açoitou os animais. Águia Verde, como prova de gratidão, os acompanhou. Evitaram a avenida principal já que ainda havia muitos corpos espalhados. Seguindo por uma avenida paralela, as vistas de uma garota que perambulava chorosa cruzaram com as de Bil Uil, perguntando quem era. Estefânia, preocupada como o doce, olhou ligeiramente e disse que era Sara. Dobram uma rua. A pequena, então órfã Sara, para não perdê−los correu por uma travessa. Numa estrada descampada, ladeada por plantações de algodão, Sara, com os olhos vermelhos, continuava olhando−os. Águia Verde, em dado momento, dobrou a direita rumando a caminho das montanhas... A carruagem seguiu até desaparecer na linha do horizonte...

“O amor constrói, Uil. A cegueira destrói. Um mal que deve ser combatido, eliminado, desprezado e esquecido. Porque, por razões não desconhecidas, associa e procria. Uma semente desprendida que não trataram de exterminar.”

Dam,


AUTOR: EDUARDO ANTONIO DAMASIO DA SILVA

REVISÃO TEXTUAL: PROF. LUIZ GONZAGA P. SOUZA


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