DOS VAMPIROS E LOBISOMENS

Enquanto tia e sobrinha preparavam doces e salgados do sustento diário, ambas conversavam.


− Certamente a dinâmica da vida tenha contribuído para a revelação deles, tia. Evidente que sempre existiram. Mas eram encubados.

− Está falando sobre o quê, Milena?

− Sobre vampiros e lobisomens, tia. Imaginou que eu estivesse falando sobre o quê?

− Continue, Milena.

− Na casa isolada, próxima da floresta, funcionava um escritório de informática que prestava serviço para uma grande empresa da capital. O horário de expediente era de meia noite às seis da manhã. Naquela madrugada, o expediente já se ‘iniciara parado’ porque havia acontecido uma pane no computador coletor de informações. Os quatro jovens profissionais que ali trabalhavam, moradores da cidade, venciam a ociosidade conversando. A lua cheia irradiava fascinante claridade. Então, tia, certamente motivado pela ociosidade e ajudado pela lua que era cheia. Propícia para manifestação daquilo. Adam confessa que era lobisomem. Abandona a mesa, dirige-se para o quintal, despe-se, espoja-se num lugar adequado, transforma-se num estranho lobo, uiva, cruza o escritório, às pressas, e foge para a floresta. Os polidos colegas Davide e Amapola ficam boquiabertos. Triana, por sua vez, ri e diz que também era lobisomem. Abandona a mesa e se dirige para o quintal. Uiva. E em seguida, uma estranha loba, cruza o escritório, às pressas, fugindo para a floresta. Davide e Amapola, com o espanto intensificado, se olham. Sabiam que aquilo existia, porém nunca tinham presenciado. Sentem−se fascinados. No entanto, ponderaram: os lobisomens se restringiam àquilo. Já os vampiros eram sociáveis. Deixam a versatilidade dos vampiros de lado e, prosseguindo com a conversa, pendem para o desejo de alimentar das tais espécies: os lobisomens se alimentavam de carne vermelha. Havia “lambuzaria”. Já os vampiros se alimentavam de sangue refinado, de frutos e de pequenos insetos. A conversa se aprofunda e fica interessante. A ponto de o Davide convidar Amapola para, com ela, visitar, no sábado, pela manhã, o Clube dos Vampiros. Conseguiria com certa pessoa convite para eles.

− Existia o clube dos lobisomens, Milena?

− Não, tia.

− Por que não?

− Porque, das inúmeras vezes que se tentou organizar um clube, o resultado foi um querendo devorar o outro.

− Continue, Milena.

− A conversa entre Davide e Amapola prossegue. Quando o dia começa a clarear, Adam cruza o escritório igual a uma bala. Havia retornado da floresta. Segundos depois, ao voltar do quintal, apresenta-se em forma humana e vestido. No entanto, desfeito. Minutos depois foi a vez de Triana cruzar o escritório igual a uma bala. Ao voltar do quintal em forma humana e vestida, Davide olha para Amapola balançando a cabeça. Triana fora descuidada e havia carne nos dentes. Então, tia, por volta das onze horas da manhã do sábado, Davide e Amapola estavam presentes no Clube dos Vampiros, acomodados em uma mesa e bebiam algo. Havia bom número de associados, todos com os caninos à amostra. Davide diz a Amapola que era sangue novo e, a qualquer momento, teriam companhia. Amapola diz que iria ao banheiro. Ao retornar momentos depois, conta que, num recuado, havia um homem grudado no pescoço de uma mulher. A coitada estava imóvel, parecia que o homem estava sugando todo o sangue da criatura. Ao dizer, se desfaz da jaqueta, gola alta, e diz para que ele fizesse o mesmo. Ele concorda. Um senhor pede licença ao casal, apresenta-se e ocupa a mesa. Trouxera uísque e copo. Passam a conversar. Davide, ao perceber que o centro das atenções era Amapola, pede licença e se retira. Porém fica observando-os de um determinado canto. De repente, tia... Se bem que ela provocou... O senhor “taca−lhe” as presas no pescoço dela.

− Coitada!

− Coitada por quê, tia. Não era aquilo o que estavam procurando? Amapola, já associada ao clube, o senhor se retira. Davide retorna à mesa. E no carro, depois de terem saído do clube Amapola, crava as presas no pescoço de Davide.

− Associa-se a ela?

− Sim! Então, tia, tempos depois, Davide e Amapola somam−se ao grupo de grandes morcegos os quais circulavam pela floresta se alimentando de frutos e de pequenos insetos.

− Você é sarcástica, Milena.

− Pois é, tia.